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5 de jun de 2012

Rosanne Mulholland: "Nunca tive uma personagem tão boa".




Com rosto delicado e ar de menina-moça, Rosanne Mulholland encara a tarefa de ser a professora Helena na versão brasileira de Carrossel, novela mexicana exibida pelo SBT em 1991 e que foi um sucesso por aqui. Apesar de não parecer, a atriz tem 31 anos e era uma estrela em ascensão nas telonas até agora. Rosanne filmou Nosso lar, Bellini e o demônio, Araguaya, A concepção, Falsa loura, Nome próprio e O magnata, entre outros longas. Na TV, ela não é bem uma estreante, pois fez a novela Água na boca, da Band, e participou com pequenos papéis da minissérie JK e de Sete pecados, da Globo. No entanto, Rosanne diz que sua atuação na remake de Carrossel pode mudar sua vida.
“Sempre foquei minha carreira no cinema, mas está sendo um grande desafio essa personagem, até por eu ter assistido à novela na minha infância e manter uma relação afetiva com essa história”, comenta.
A atriz nasceu em Brasília e é filha do norte-americano Timothy Mulholland (ex-reitor da Universidade de Brasília) com a brasileira Lurdicéia Santos – eles são separados há muitos anos. No começo de sua carreira, ela assinava Rosanne Holland por achar seu sobrenome verdadeiro muito difícil de escrever e pronunciar.
“É o nome do meu pai, da minha família, e sei que a origem é irlandesa”, conta.
Ela chegou a cursar psicologia para ter uma profissão “mais segura”, mas não resistiu à paixão por interpretar. Depois de 10 anos trabalhando em peças teatrais e comerciais em Brasília, Rosanne se mudou para o Rio de Janeiro para tentar fazer cinema, e conseguiu.

O cinema é uma prioridade em sua vida?
Desde que fiz meus dois primeiros filmes, sempre quis que o cinema fosse prioridade e por muito tempo busquei isso. Agora, estou tirando um tempo para fazer TV, o que vai ser muito importante para minha carreira. Demorei um pouco para me adaptar, mas agora estou à vontade e esta é a oportunidade que me deixou mais feliz de todas que eu tive na vida até agora.

Você se identifica com a professora Helena?
Sim. Como atriz, fiz poucos trabalhos com crianças, mas já fui professora de inglês. Quando me mudei para o Rio, dei aulas para reforçar meu orçamento. Além disso, sou formada em psicologia e fiz estágio com crianças. Para mim, é um grande prazer gravar com elas, mesmo quando nos enlouquecem.

É mais difícil contracenar com crianças?
É diferente. Quando todas estão juntas, é difícil porque elas se distraem muito facilmente. Já quando gravo com uma ou duas é incrível, porque rola outra concentração e a cena flui melhor. O mais legal é ver que tudo é muito simples para elas, porque nós, adultos, às vezes complicamos as coisas sem necessidade.

É fácil fazer essa mocinha, tão meiga e cheia de qualidades?
Acho difícil porque ela é sempre boa. Ser boa o tempo inteiro e tornar isso interessante é um grande desafio. Nunca fiz uma personagem tão boa, apesar de eu ter essa cara de mocinha boazinha. Quando era mais nova, tinha medo de ficar presa a esse tipo de personagem. Graças a Deus, tive oportunidade de fazer personagens bem diferentes e agora vejo como pode ser bacana encarar essa mocinha.

Então, você acha que a sua imagem ajuda a caracterizar a mocinha de Carrossel?
Sim, tenho um rosto delicado e o tipo físico magrinho ajuda. Todos falam que sou doce e que tenho mel. Acho que esse conjunto foi favorável para que me escolhessem para fazer Helena. Fiz apenas um teste, contracenando com o Jean Paulo, que interpreta o Cirilo. Eu olhei para ele, e não tem como você não se encantar com esse menino. Foi natural. Eu já sou doce, com essa carinha, digamos, delicada, olhei para ele e me apaixonei. Pronto, já era a professora Helena.

E como você soube que o papel era seu?
Tomei um susto. Estava no Festival de Brasília, iria começar a apresentar o evento quando recebi a ligação do SBT. Foi tudo muito rápido, porque já estavam me chamando para começar a apresentação. Demorou para cair a ficha, porque eu nem podia parar para pensar naquele momento. Fiquei meio em choque, porque é uma coisa importante, que pode mudar minha vida. Quando me acalmei e coloquei a cabeça no travesseiro, pensei “caramba, sou a professora Helena”. Aí, eu curti.

Você teve de mudar algo no seu visual?
Eu estava com uma franja e um cabelo um pouco maior. Cortei um pouco e fiz luzes suaves.

Você assistiu à novela na década de 1990. Acha que isso vai acabar influenciando na sua construção da personagem? 
Eu assistia com meus pais e tenho uma referência muito forte da versão mexicana. A professora Helena da Gabriela Rivero é uma influência, sim, mas estamos em outros tempos e no Brasil. É importante eu fazer a minha professora Helena. Acho que vai haver uma mistura da interpretação da Gabriela com a da Rosanne

Neste ano, você vai se dedicar somente a Carrossel ou tem outros projetos?
Agora minha vida é Carrossel. Claro que já estou começando a pensar em outros projetos para depois da novela, mas enquanto eu estiver aqui esse é o meu foco.

Você é de Brasília e mora no Rio de Janeiro. Vai se mudar para São Paulo por causa do trabalho no SBT?
Estou ficando num flat. Meu apartamento no Rio eu vou alugar, e também não tenho tempo para fazer a mudança, pois fiquei sabendo numa semana que seria a professora Helena e na outra já estava aqui gravando. Não tive tempo de ajeitar isso. Vou encarar a vida de viver num flat mesmo.

O que o trabalho no programa A liga, da Bandeirantes, significou para você?
Foi uma experiência completamente diferente que me enriqueceu como pessoa e trouxe uma experiência como apresentadora que eu não havia tido ainda. Sabia desde o princípio que seria uma fase, porque sempre fui atriz e interpretar é o que quero fazer. Queria sair da minha zona de conforto, queria conhecer coisas novas, queria um desafio. No programa, passei por coisas que jamais faria na minha vida. Eu nunca entraria em um esgoto, e em A liga fiz isso. Jamais assistiria a uma necropsia, e eu assisti. O convite para fazer A liga veio no momento certo, porque eu estava procurando ir além. Agora, estou em um outro momento.

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